Ele
acordou mas não acordou. Ficou com uma sensação muito estranha, como se
estivesse desperto dentro do próprio sono. Beliscou-se e, ao invés de sentir
dor, passou um elefante cor de rosa pequenino voando bem em frente a seus
olhos. Descobriu que estava sonhando ainda. Mas não queria, não podia sonhar.
Tinha que acordar, estava na hora do trabalho, o celular já tinha tocado, ele
sabia que não podia continuar dormindo. Fez força pra acordar e nada. Gritou,
nada. Imaginou uma palmeira azul, ela surgiu à sua frente, ele bateu a testa no
tronco repetidas vezes. Um cacho de coquinhos caiu sobre sua cabeça. Não
acordou. Pensou em um despertador gigante, ele surgiu na sua frente, tocando
alto. Nada. Pensou em um rádio-relógio, apareceu um grande, visor digital verde
meio década de 80, tocando o refrão de um sertanejo a plenos pulmões. Nem assim
despertou. Viu que o despertador, o rádio-relógio e o relógio de pulso estavam
sincronizados, todos marcando 8h, e ele devia ter acordado às 7h30. Pensou num
Transformer, depois no Lanterna Verde, depois no Lanterna Verde lutando contra
o transformer, um barulho infernal de cinema com som Dolby, mas nada.
Simplesmente não acordava. Resignou-se. Desistiu de enfrentar a insônia às
avessas. Lembrou-se de que a melhor maneira de dormir quando se tem insônia é
levantar da cama e fazer outra coisa – ler, por exemplo. Já que estava
dormindo, tentou a estratégia inversa. Pensou numa cama king size, daquelas de
hotel, com fios de algodão egípcio. Pluft, surgiu a cama. Pensou na Scarlett
Johansson de baby doll, deitada, esperando por ele. Ela apareceu. Deitou-se na
cama, começaram a se beijar, ele sentia os seios dela roçando em seu braço.
Começou a deslocar a alça do baby doll. Acordou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário