segunda-feira, 8 de julho de 2013

Vozes.

Resolveu pegar o carro e ir para um lugar onde pudesse ouvir só a si mesmo. As vozes na cabeça eram muitas, opiniões de amigos, pais, parentes, colegas de trabalho. Colocou um CD na maior altura, para não ouvir nada além da música. Pôs os óculos escuros, dirigiu por 1 hora pela rodovia, depois mais 20 minutos por uma estradinha de terra vicinal, até encontrar um ponto onde pudesse parar o veículo, saltar, olhar a paisagem e escutar a revelação que, tinha certeza, viria. Do fundo do coração, ou do fundo da mente, ele sabia que a resposta viria. Desligou o som, bateu a porta, afastou-se alguns metros do carro. Som de vento, pássaros ao longe, um inseto bateu asas bem próximo, vrrrrrrrr. Enfim, silêncio. Olhou para o horizonte e apurou a audição para tentar escutar o que vinha de dentro. A princípio, nada. Continuou procurando, até que ouviu uma voz fraca, quase inaudível. Prestou atenção e o som ia aumentando, mas ainda não era compreensível. Até que a mensagem surgiu novamente, e ele enfim entendeu. Vinha do estômago. Era fome.

Nenhum comentário:

Postar um comentário