Resolveu pegar o carro e ir para um lugar onde pudesse ouvir
só a si mesmo. As vozes na cabeça eram muitas, opiniões de amigos, pais,
parentes, colegas de trabalho. Colocou um CD na maior altura, para não ouvir
nada além da música. Pôs os óculos escuros, dirigiu por 1 hora pela rodovia,
depois mais 20 minutos por uma estradinha de terra vicinal, até encontrar um
ponto onde pudesse parar o veículo, saltar, olhar a paisagem e escutar a
revelação que, tinha certeza, viria. Do fundo do coração, ou do fundo da
mente, ele sabia que a resposta viria. Desligou o som, bateu a porta,
afastou-se alguns metros do carro. Som de vento, pássaros ao longe, um inseto
bateu asas bem próximo, vrrrrrrrr. Enfim, silêncio. Olhou para o horizonte e
apurou a audição para tentar escutar o que vinha de dentro. A princípio, nada.
Continuou procurando, até que ouviu uma voz fraca, quase inaudível. Prestou
atenção e o som ia aumentando, mas ainda não era compreensível. Até que a
mensagem surgiu novamente, e ele enfim entendeu. Vinha do estômago. Era fome.
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