segunda-feira, 8 de julho de 2013

Fixo.



Acordou agitada. Tinha dormido mal, talvez fruto daquela caipifruta a mais na noite anterior com aquele cara de papo tão encantador. Olhou o relógio, estava 20 minutos atrasada. Correu para o banheiro, tomou a chuveirada mais rápida que podia, comeu uma banana, demorou um quase nada para escolher a roupa – o que só provou a ela mesma que, quando queria, isso era possível, mesmo que levasse normalmente meia hora para combinar a parte de cima com a parte de baixo, os sapatos e a bolsa. Olhou novamente o relógio, até que não estava tão atrasada. Súbito, um jorro de adrenalina: o horário de verão foi meia noite de ontem. Estava 1h20 atrasada para uma reunião importantíssima, na presença do cliente e do chefe. Ao sair o salto quebrou, vou ser demitida, voltou e pegou o primeiro sapato que tinha na frente, era um tênis, nada a ver com o visual que tinha escolhido, também não podia chegar à reunião tão mal vestida, isso dá até justa causa. Plim, mensagem no celular, cadê você, a colega mandou e atrasou mais um segundo a escolha do novo sapato, ai meu Deus agora também tenho que mudar a bolsa, mudou. Apenas fechou a porta de casa quando ouviu o telefone fixo tocando, se for importante mesmo me ligam no celular. O telefone parou, depois tocou novamente, ai esse elevador que não chega, bateu na porta pra ver se o vizinho soltava. O telefone tocou de novo, deve ser importante senão não insistiam, procurou a chave de casa na bolsa, maldita bolsa grande e lindíssima que eu comprei naquela loja chiquérrima em promoção, entrou correndo em casa, vou ser demitida, atendeu. “Oi, ontem à noite insisti pra você me dar o celular mas você só passou o fixo, precisava falar com você. Tem um minutinho?” Respondeu a mensagem: passando muito mal, pede desculpas ao cliente.

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