Pai contador, mãe contadora. Filho de peixes, contador é.
Mesinha do avião aberta, se perdia nas planilhas de excel, números números
números. O fone de ouvido, enorme, usava sem música, só para se distanciar dos
ruídos e barulhos que o desconcentravam. Sonhava com porcentagens, impostos. Os
olhos cansaram, fechou o laptop e a mesinha. Aterrissagem sem problemas, entrou
pelo finger, esperou a mala preta – 84% de todas as malas são pretas, sabia
disso, bom contador que era – demorou, pegou a mala. A rodinha travava, estava
com o fone no ouvido ainda, detestava aquela bagunça sonora do aeroporto.
Saindo pelo desembarque, deu de cara com o motorista segurando um cartaz: DJ Alex
BB. Pensou um segundo, disse “sou eu”, e entrou no carrão com ar condicionado
rumo ao hotel e ao horário na boate às 2 da manhã. No dia seguinte, o site das
baladas da cidade comentava o setlist tão original, que durou exatos 1h 23min 45segs.
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