terça-feira, 9 de julho de 2013

Amores.

O primeiro amor foi o palhaço do circo que passou pela cidade. Assistiu ao espetáculo 20 vezes, chegou a decorar as piadas e mesmo sabendo início, meio e fim, ria de todas elas. Depois veio o jornaleiro da banca. Rapaz bonito, imberbe mas com um bigodinho sempre por nascer. Folheava as revistas de fofocas e batia papo, perguntava sobre a situação econômica para puxar assunto, mas ele só tinha olhos para a loirinha de óculos que pegava o ônibus no ponto todo dia às 7h15. Depois foi o balconista da farmácia. Ela tomava anticoncepcional injetável na bunda, só para provocá-lo. Meses depois, viu-o andando de mãos dadas com outro rapaz. Em seguida, foi um professor. Sentava sempre nas primeiras cadeiras para observar o homem mais velho, grisalhos em profusão, com um ar sempre distante e sempre superior. Tratava as alunas como minhas filhas, e tinha especial carinho por uma gostosona que vivia no fundo da sala mascando chiclete e mexendo no celular. Um dia, cansada de tantas frustrações, tomou uma atitude impensável para a grande maioria das mulheres: foi a um bar sozinha. Mal sentou-se, um homem a abordou. Alto, bonito, traços fortes. Papo ótimo, bem empregado, inteligente, genuinamente interessado. Sensível, perguntou dela, dos problemas, da família, do trabalho. Tinha um sorriso sedutor, estava encantado. Perguntou se podia pagar um drinque, ela disse que sim. Um rapaz trouxe a bebida. Naquele momento, ela ficou completamente apaixonada. O coração disparou, todos os sons do bar se misturaram, e ela continou balançando a cabeça afirmativamente para o homem, enquanto admirava, suspirava, pensava em casar e ter filhos com o garçom.

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