O primeiro amor foi o palhaço do circo que passou pela
cidade. Assistiu ao espetáculo 20 vezes, chegou a decorar as piadas e mesmo
sabendo início, meio e fim, ria de todas elas. Depois veio o jornaleiro da
banca. Rapaz bonito, imberbe mas com um bigodinho sempre por nascer. Folheava
as revistas de fofocas e batia papo, perguntava sobre a situação econômica para
puxar assunto, mas ele só tinha olhos para a loirinha de óculos que pegava o
ônibus no ponto todo dia às 7h15. Depois foi o balconista da farmácia. Ela tomava
anticoncepcional injetável na bunda, só para provocá-lo. Meses depois, viu-o
andando de mãos dadas com outro rapaz. Em seguida, foi um professor. Sentava
sempre nas primeiras cadeiras para observar o homem mais velho, grisalhos em
profusão, com um ar sempre distante e sempre superior. Tratava as alunas como
minhas filhas, e tinha especial carinho por uma gostosona que vivia no fundo da
sala mascando chiclete e mexendo no celular. Um dia, cansada de tantas
frustrações, tomou uma atitude impensável para a grande maioria das mulheres:
foi a um bar sozinha. Mal sentou-se, um homem a abordou. Alto, bonito, traços
fortes. Papo ótimo, bem empregado, inteligente, genuinamente interessado.
Sensível, perguntou dela, dos problemas, da família, do trabalho. Tinha um
sorriso sedutor, estava encantado. Perguntou se podia pagar um drinque, ela
disse que sim. Um rapaz trouxe a bebida. Naquele momento, ela ficou
completamente apaixonada. O coração disparou, todos os sons do bar se misturaram,
e ela continou balançando a cabeça afirmativamente para o homem, enquanto admirava,
suspirava, pensava em casar e ter filhos com o garçom.
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