O menino não saía do videogame. Aquela hipnose, mal movia os
olhos, apenas os dedos, rápidos, ágeis, matando tudo que vinha pela frente:
zumbis, policiais, inocentes. Depois de matar, fazia crueldades: atirava mais,
na cabeça, no peito, às vezes se comprazia em desmembrar os personagens.
Primeiro arrancava uma perna, depois um braço, depois o outro, mesmo depois de
mortos. A munição não terminava, o menino era muito bom, a mira acertava os
inimigos de longe. A contagem já estava em 637 inimigos mortos, a maioria
zumbis, mas gostava de treinar também a pontaria em cachorros e mulheres. Na
pausa para a próxima frase, levantou os óculos, coçou os olhos e quando ia
voltar a jogar, viu uma aranha a 1 metro da TV, descendo do teto pela teia.
Largou o controle e saiu correndo gritando pela mãe.
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