terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Insônia.

Ele rolava de um lado para o outro na cama. 1h21. Tinha feito tudo como mandava o figurino de quem quer dormir sem problemas: chegou em casa, comeu, tomou um banho quente, não assistiu TV. Escutou músicas relaxantes. Começou a ler um livro chato. E quando o sono bateu, desligou o abajur. Mas nada. Não conseguia pregar o olho. O pior é que ele não sabia a causa da insônia. Tentou descobrir. Era o trabalho? Podia ser, mas nada específico. O chefe até era um saco, mas muito baixinho - não tinha nem tamanho pra tirar seu sono. Problemas com a família também não eram: os pais iam bem, os irmãos idem, e ele não era casado nem tinha filhos. Podia ser preocupação com o cachorro, mas ele não tinha um. Lembrou do peixe dourado que ganhou na infância e que morreu no dia seguinte, mas esse motivo tinha ido descarga abaixo anos atrás, literalmente. O que podia ser? Vai ver era o medo de ficar doente. Mas tinha uma saúde de touro, a última gripe ele nem se lembrava quando. 1h23. O pensamento viajava rápido, mas o raio do tempo não passava. Dois minutos só. Aí descobriu. Estava preocupado com as horas. As horas que passavam, inexoráveis, e ele não podia fazer nada quanto a isso. Um desfile interminável de segundos bem à sua frente, sem pressa – aqueles segundos que teimam em não ter a velocidade dos centésimos. E ele ali, impotente. Racionalizou e acabou desistindo de se preocupar. Não havia o que fazer. Acalmou-se. 1h25. Agora vou dormir, pensou. Ia caindo no sono quando o despertador tocou. Eram 7h30. 

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