Pensou
como seria se tudo fosse diferente. Um outro nome, um outro local de
nascimento, uma outra idade. Mais velho, mais novo, não importava. Outros pais,
outros irmãos, outros amigos. Uma outra língua-mãe, talvez. Trocaria tudo: o
corpo, a cor da pele, o tipo de cabelo. Manteria apenas o sexo e o rosto.
Pronto: tinha resolvido ser outra pessoa. Raspou a cabeça, fez bronzeamento
artificial, abandonou o emprego sem avisar. Trocou de celular, saiu do
Facebook, não avisou a família, nem os amigos. Fez um curriculum falso,
mudou-se de São Paulo para Porto Alegre. Hospedou-se em um hotel barato no
centro. Agendou entrevistas de emprego, chamava atenção pela pele bronzeada e
pelo português com sotaque difícil de identificar. Dizia que era pela família
de origem uzbeque e simulava uma ou outra palavra no idioma. Foi contratado por
uma empresa de importação e exportação que queria abrir contatos na Ásia.
Chegou ao novo trabalho na segunda, sentou-se na mesa, foi apresentado aos
colegas. Tinha acabado de ligar o computador quando ouviu alguém gritar:
“Betão, você por aqui! Que bronze é esse? Tu tá feio pra cacete careca, hein?”
ahahaha, me lembrou este comercial da Central Beheer:
ResponderExcluirhttp://www.youtube.com/watch?v=-6I_ff_wDIc