Unápolis
era uma cidade curiosa. Tinha apenas 1 pessoa em cada profissão. Um padre, um
policial, um médico, uma prostituta, a Raylene. Na verdade, o prostíbulo da
cidade tinha 2 mulheres, mas apenas uma se dedicava à profissão - a outra era a
cafetina. Unápolis também tinha apenas um bar, obviamente com um garçom, e uma
escola, com uma professora. O único bombeiro da cidade não via trabalho há
tempos. Passava seus dias jogando damas com o único policial, cujo último caso
tinha sido há exato 1 ano – o único bêbado da cidade cantava alto e gritava ao
sair do bar, acordando a única solteirona, que procurou a delegacia e fez
questão que o bêbado passasse uma noite na cadeia. Um dia, o padre recebeu o
prefeito no confessionário. “Seu padre, pequei. Traí minha mulher.” “Com a
Raylene?”, perguntou o padre, surpreso por ouvir, até então, o único caso de
traição em sua paróquia (ele que não considerava a Raylene uma traição
propriamente). “Não, com a enfermeira.” O padre ficou chocado. A única
enfermeira da cidade, prestando-se a esse papel. Mandou o prefeito rezar um pai-nosso. Uma hora depois, entrou uma mulher no confessionário.
Era a enfermeira. “Seu padre, pequei.” “Diga, minha filha”. “Me deitei com o
prefeito. E estou grávida.” O padre pensou um minuto. Deu apenas uma ave-maria
e um pai-nosso de penitência. Afinal, em pouco tempo, a cidade teria seu único
bebê. Hoje, Umberto é um garoto saudável e adora jogar bola. Seu sonho é ser
goleiro. Por causa do número na camisa.
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